terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O Vencedor da enquete

Mais sobre a vida e carreira de Christian Dior

nasceu em Granville (cidade portuária da Mancha), na França, no dia 21 de janeiro de 1905. Sua família tinha uma boa situação financeira na época, o que lhe garantiu uma infância e adolescência tranquilas.Apesar de seu interesse em artes, especialmente o desenho, Dior acabou estudando ciências políticas, por influência de seu pai, com a intenção de seguir a carreira diplomática. Entretanto, após terminar o curso, gastou seu tempo viajando pela Europa, até que, em 1927, abriu uma galeria de artes, em sociedade com o amigo Jacques Bonjean. Juntos, chegaram a expor alguns trabalhos de amigos, como Dufy, Christian Bérard e Jean Cocteau.Em 1934, vítima de uma grave doença, Dior não podia contar com o dinheiro de sua família, que, desde 1931, atravessava sérios problemas financeiros.Em 1935, já recuperado, começou a desenhar croquis para o "Figaro Illustre", jornal parisiense que os publicavam semanalmente na seção de alta-costura. Após conseguir vender uma coleção de desenhos de modelos de chapéus, começou a fazer croquis de roupas e acessórios para várias maisons de Paris, até que, em 1938, Christian Dior realmente iniciou sua carreira no universo da alta-costura, como assistente do estilista suíço Robert Piguet (1901-1953). Foi convocado para a guerra, que explodia na Europa, e atuou como soldado do corpo de engenheiros. Em 1941, foi trabalhar na maison do estilista francês Lucien Lelong (1889-1958), onde conheceu aquele que viria a ser um importante estilista, o francês Pierre Balmain (1914-1982).Christian Dior sonhava em ter sua própria maison, o que pôde ser realizado com a ajuda financeira do então poderoso empresário de tecidos, Marcel Boussac, em 1946. O endereço, em Paris, era o número 30, da avenida Montaigne, o mesmo até hoje. Sua primeira coleção foi apresentada no dia 12 de fevereiro de 1947 e causou um verdadeiro estardalhaço entre a imprensa.

Vestido "Cyclone" em tafetá, Christian Dior, da linha Ailée, de 1948

Aquele homem tímido e educado havia criado o eterno "New Look". Surgia aí um mito, Christian Dior, que viria se tornar sinônimo de sofisticação e elegância no luxuoso mundo da alta-costura.
Quando Carmel Snow, redatora da revista americana "Harper's Bazaar", viu os modelos apresentados por Dior, exclamou: "This is a new look!" Desde então, o nome original da coleção, que era "Ligne Corolle" (Linha Corola), se tornou conhecida como "New Look".Em sua primeira coleção, Dior conseguiu mudar todo o conceito de praticidade e simplicidade das roupas femininas, até então uma necessidade dos tempos de guerra e uma tendência da moda criada por Chanel. Após tantos anos de restrições, a mulher necessitava se sentir novamente feminina e ansiava pela elegância e o luxo perdidos.Dior acertou e criou modelos extremamente femininos, luxuosos, sofisticados e elegantes, inspirados na moda da segunda metade do século 19. Os vestidos e saias eram mais longos, o busto mais acentuado, a cintura bem marcada e as saias amplas. Apesar das críticas, com relação a grande quantidade de tecido usado por ele para a confecção de vestidos e saias, ainda num momento díficil para a indústria têxtil, nunca um estilo de roupa chegou tão rápido às ruas. Mulheres de todas as partes do mundo copiaram seus modelos.O modelo que se tornou o símbolo do "New Look" foi o tailleur Bar, um casaquinho de seda bege acinturado, ombros naturais e ampla saia preta plissada quase na altura dos tornozelos. Luvas, sapatos de saltos altos e chapéu completavam o figurino impecável. Com essa imagem de glamour, estava definido o padrão nos anos 50.
Em 1949, Christian Dior já tinha uma casa de prê-à-porter de luxo em Nova York, o perfume "Miss Dior" - lançado em 1947 e um clássico até hoje - e estava pronto para assinar os primeiros contratos de licença com sociedades americanas, o de meias e o de gravatas. A partir de 1950, surgiu um outro tipo de sociedade, incumbida do comércio por atacado e da difusão dos acessórios com o nome da maison Dior.Em sua coleção de 1951, o estilo princesa ficou consolidado como sua marca, mas a novidade foi o uso do terno masculino em roupas femininas. Dior apresentou um tailleur em lã cinza, que expressava todo o conceito de masculinidade, transportado às roupas femininas.Criou a linha H, em 1954, que era a base de toda a coleção, com modelos que erguiam o busto ao máximo e baixavam a cintura até os quadris, criando a barra central da letra H.Também criou modelos luxuosos, com muita seda e tule bordado com incrustações drapeadas, como no vestido de baile "Chambord", que para ele significava o luxo ao redor da cintura, além dos vestidos de tecidos diáfanos, com várias saias sobrepostas e comprimentos variados.A linha Y surgiu em 1955 e mostrava um corpo esguio com a parte superior mais pesada, com golas grandes que se abriam em forma de V e a "Linha A" trouxe vestidos e saias que se abriam a partir do busto ou da cintura para formar os dois lados de um A.Fortes referências da marca CD até hoje, e que ficaram famosas durante os anos 50, são as estolas, as mangas três quartos, além do conjunto em tons pastéis de cardigã, blusa e saia de crepe.Ainda em 1954, Londres ganhou uma sucursal da grife e uma butique foi anexada à maison de Paris. Mais tarde, surgiram echarpes, lenços de seda, luvas, bijuterias e lingeries com a assinatura Christian Dior, além das sucursais em Caracas, Austrália, Chile, México e Cuba.Mulheres famosas usaram suas criações, como as atrizes Brigitte Bardot e Marlene Dietrich, a cantora Edith Piaf e a princesa Grace de Mônaco.Christian Dior morreu em 24 de outubro de 1957, na estação termal Toscana de Montecatini, na Itália, deixando um verdadeiro império do luxo construído, com 28 ateliês e 1.200 empregados.
Durante dez anos, Christian Dior foi o estilista mais cultuado e admirado no mundo da moda, suas criações foram sucesso e seu nome associado a elegância e refinamento.Para assumir a direção de criação da grife, após a morte de seu criador, foi escolhido o então jovem talento Yves Saint-Laurent, que chegou a provocar uma certa controvérsia por ter criado peças pouco tradicionais para a marca, como jaquetas de couro preto e vestidos curtos. Em 1960, Saint-Laurent foi convocado para servir na guerra da Argélia e em 1962, já de volta a Paris, abriu sua própria maison. Seu lugar foi ocupado por Marc Bohan, estilista francês experiente. Seus modelos eram esguios e seus modelos mais influentes foram apresentados em 1966, baseados no filme "Doutor Jivago", com casacos amplos acinturados, vestidos longos e botas. Em 1989, numa tentativa de renovar a marca, o italiano Gianfranco Ferré foi escolhido como o novo nome da Christian Dior. Em sua primeira coleção, ele ganhou o prêmio "Dedal de Ouro", oferecido pela empresa Helena Rubinstein ao melhor estilista de cada temporada. Seu estilo de linhas arquitetônicas e corte seco foi sucesso até 1997, ano em que assumiu o inglês John Galliano, atual designer da grife.Desde 1984, a marca CD é controlada pelo grupo LVMH (Môet-Henessy Louis Vuitton), primeira empresa mundial do comércio de luxo, do engenheiro francês Bernardo Arnault, que também é dona dos perfumes "Miss Dior" e "Poison", ambos da marca CD.
No Brasil, a loja Christian Dior, em São Paulo, é a única da América Latina e foi inaugurada em 1999.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Para ler


História do Vestuário

O livro conta a história do vestuário desde os povos antigos do Mediterrâneo e Ásia Menor, do período teutônico pré-histórico, Idade Média, Renascimento, Barroco, até os séculos 18 e 19.
Esta obra pretende mostrar através de exemplos práticos o desenvolvimento do vestuário. O autor se deu ao trabalho de tomar como base do seu estudo peças reais de vestimentas que sobreviveram, recorrendo a pinturas, estátuas e outras reproduções unicamente nos casos em que os originais não mais existiam.

Autor: Carl Köhler e Emma von Sichart
Editora: Martins Fontes - R$45,00, em média

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Pin-up do mês de fevereiro

Elisabeth Taylor
Elizabeth Rosamond Taylor, nasceu em Londres, no dia 27 de fevereiro de 1932. Filha de um comerciante de arte e uma jovem atriz . Elizabeth só foi morar nos Estados Unidos, em 1939, por causa da ameaça de guerra que chegou a Inglaterra. A família Taylor foi para Los Angeles, Califórnia. Várias pessoas reparando a beleza de Elizabeth, que tinha pele de alabastro, olhos violetas e cabelos negros, falavam para sua mãe Sara procurar estúdios para tentar colocar Elizabeth no cinema. O resultado é conhecido por todos. Elizabeth começou trabalhando na Universal, em um filme chamado There's One Born Every Minute (1942) quando tinha dez anos. Mais o contrato com a Universal não durou muito. O diretor responsável pelo elenco, achava que ela tinha "olhos velhos e não tinha expressão de criança." E o contrato não foi renovado. Mais um ano depois, Elizabeth fez um teste para MGM e ganhou um pequeno papel no filme A Força do Coração (1942), o primeiro da série de filmes sobre a cadela Lassie. Onde passou a ficar conhecida. Fez outros filmes no seu longo contrato com a MGM, mais só passou a demonstrar realmente que amadurecera depois de filme O príncipe Encantado (1948), aos 16 anos. Depois veio Um Lugar ao Sol (1949), durante as filmagens Elizabeth se apaixonou pelo seu par romântico Montgomery Clift, mais o astro que era homossexual, não queria um romance, mais viria a ser o seu amigo mais íntimo, até sua morte em 1966. Os sentimentos de amor de Elizabeth por ele era tão mesclados de culpa, recriminação e remorso que, mesmo depois que ele estava morto há anos, ela não era capaz de falar a seu respeito sem chorar. A longa coleção de maridos de Elizabeth começou a ser montada quando ela tinha 18 anos, e o escolhido foi o rico herdeiro de uma cadeia de hotéis, Conrad Nicholson Hilton Junior, aliás Nicky. Durou sete meses. Ele preferia jogar e se divertir com os amigos, a ficar com Elizabeth. Veio em seguida o maduro e fleumático ator inglês Michael Wilding, que resistiu cinco anos, e que deu a oportunidade de Elizabeth ter dois filhos. Outro milionário. Mike Todd, o primeiro grande amor da vida de Elizabeth, morreu num acidente aéreo antes de completar um ano de casado. Todd foi sucedido por Eddie Fisher, um cantor , viciado em drogas, responsável pelo maior escândalo da vida sentimental de Liz: era marido de sua grande amiga Debbie Reynolds e melhor amigo do seu falecido marido. Na época foi um grande escândalo em Hollywood. Elizabeth foi chamada de destruidora de lares e viúva negra. Mais, o escandâlo foi superado e o casamento não durou muito, claro. Foi atropelado por Richard Burton, o segunda grande amor de sua vida, que valeu dois casamentos e dois divórcios. Eles se conheceram durante as filmagens de Cleópatra (1963). Onde recebeu a inédita quantia de um milhão de dólares, por um único filme. Falam que quando viu Elizabeth pela primeira vez, durante as filmagens de Cleópatra passou-lhe uma cantada. "Ela acabou de comer um sanduíche rápido, passou a mão nos cabelos, piscou os olhos carregados de maquilagem e preparava-se para voltar ao estúdio, quando sentiu que alguém a observava. Levantou o rosto e achou engraçados aqueles dois olhos enormes, que examinavam suas roupas, seu rosto, suas mãos. De repente, ele falou: "Não me ocorre nada melhor para dizer, sabe? Mais quero que saiba que é uma mulher muito bonita." - "Foi uma frase muito banal para quem se diz um intelectual", Liz comentou mais tarde, na sala de maquiagem. Mas foi assim, dessa forma banal, que ela conheceu Richard Burton – e com ele iniciou um romance tempestuoso, que os manteria permanentemente nos jornais e revistas nos quinze anos seguintes. Com Burton, um dos mais perfeitos intérpretes de Shakespeare, Liz cresceu como artista e como mulher. Foi ao lado dele que ela conquistou seu segundo Oscar, pelo filme Quem Tem Medo de Virgínia Woolf? (1966), onde representava uma mulher madura, chata, desarrumada, despenteada, dada à bebida, diferente daquela beleza bem-comportada de Butterfield 8 (1960). E, no entanto, mais uma vez Elizabeth Taylor estava representando Elizabeth Taylor na tela. Finalmente, pintou o fazendeiro e político de seu segundo time John Warner, em 1976. Elizabeth se divorciou de Warner em 1981. Foi a época em que Liz engordou 30 quilos. Mais em 1985, após várias dietas, Liz voltou ao seu peso de juventude, 55 quilos. Em 1991, Elizabeth tentou mais uma vez com um caminhoneiro Larry Forstensky. Quando chocou ao mundo ao anúnciar seu oitavo casamento, aos 59 anos. Mais outro divórcio, com ela alegando diferenças irreconciliáveis. Jurando nunca mais se casar novamente. Foram esses os maridos, de papel passado. Amantes e namorados fazem uma lista à parte, talvez infinita. Quando estava chegando aos 40 anos Liz declarou: "A felicidade se resume em colecionar amores..." Naquela ocasião, estava no quinto marido, Burton. E, se isso é verdade, ninguém como ela, pode ser considerada uma pessoa feliz. Mas vamos devagar com essa felicidade. A vida de Elizabeth Taylor não foi apenas uma sucessão de alegrias e divertimentos, muito menos de frivolidades. Fazendo seu primeiro filme aos 12 anos, mal chegada da Inglaterra, onde nascera, para fugir dos horrores da guerra, Liz caiu do cavalo e machucou a espinha, o que a obrigou a tomar aspirinas e fortes analgésicos a vida toda, para livrar-se das dores. Durante as filmagens de Cleópatra pegou uma pneumonia dupla que quase a matou. Onde tiveram que fazer uma traqueotomia para poder salvá-la. Quatro vezes esteve desenganada pelos médicos, e sobreviveu. Sucumbiu ao álcool e às drogas, e conseguiu recuperar-se. E nunca procurou esconder seus problemas de ninguém. Ao sair de uma clínica, em 1984, declarou francamente aos jornalistas: "Eu era uma bêbada. Bêbada, eu sei, é uma palavra muito dura, mas tenho que ser dura comigo mesma para enfrentá-la. Um bêbado é alguém que bebe demais. Alguém que toma pílula demais é um drogado. Não há um modo elegante de dizer isso. Tive que reconhecer essa verdade." Liz tem quatro filhos: Michael Wildind Jr, Cristopher Wildind, Liza Todd e Maria (que ela adotou com Burton na época de Cleópatra). Em fevereiro de 1997, Elizabeth fez o seu check-up anual, onde mostrou a existência de um tumor benigno em seu cérebro. O tumor era do tamanho de uma laranja e os médicos marcaram a cirurgia para dali a duas semanas. Após o choque inicial com a notícia, Elizabeth Taylor passou a sentir medo de morrer ou ficar paralisada em conseqüencia da extração do tumor. Mas como sempre acontece, Liz tomou conta da situação e, com sua habitual autoconfiança, declarou que não importava qual fosse o resultado da cirurgia, ela tinha vivido uma grande vida. Adiantou a festa do seu 65º aniversário do dia 27 para o dia 16. Centenas de celebridades compareceram ao Teatro Hollywood Pantage para mostrar sua afeição e solidariedade. Como parte das comemorações, a cidade de Los Angeles mudou o nome de uma rua que cruza o Hollywood Boulevard para Passagem Elizabeth Taylor. Mais a recuperação foi simples e sem qualquer complicação séria. Para a cirurgia, Elizabeth teve que raspar a cabeça e posou para a capa da revista Paris Match careca e com uma cicatriz de 7 centímetros no crânio. Atualmente Elizabeth, tem se engajado em campanhas na luta pela prevenção da AIDS e participado de eventos no qual tem feito suas aparições públicas.

FILMOGRAFIA

1994-The Flintstones - O filme - The Flintstones
1989-Doce pássaro da juventude - Sweet bird of youth
1988-Young Toscanini
1983-Montgomery Cliff
1981-Genocide
1980-A maldição do espelho - The Mirror crack'd
1979-Morte no inverno - Winter kills
1977-A light night music
1976-The Blue bird
1974-That's entertainment!
1974-The Driver's seat
1973-Night watch
1973-Meu corpo em tuas mãos - Ash Wednesday
1973-Under milk wood
1972-X, Y e Z - Zee and Co.
1972-Hammersmith is out
1970-Jogo de paixões - The Only game in town
1968-Secret ceremony
1968-Boom
1967-O pecado de todos nós - Reflections in a golden eye
1967-A megera domada - La bisbetica domata
1967-The Comedians
1967-Doctor Faustus
1966-Quem tem medo de Virgina Woolf? - Who afraid of Virginia Woolf?
1965-The Love goddesses
1965-Adeus às ilusões - The Sandpiper
1965-The Big sur
1963-Gente muito importante - The V.I.P.s
1963-Cleópatra - Cleopatra
1960-Disque Butterfield 8 - Butterfield 8
1960 - Scent of a mystery 1
1959 - De repente, no último verão Suddenly, last summer
1958 - Gata em teto de zinco quente Cat in a hot tin roof
1957 - A árvore da vida - Raintree county
1956 - Assim caminha a humanidade - Giant
1954 - A última vez que vi Paris - The Last time I saw Paris
1954 - No caminho dos elefantes - Elephant walk
1954 - Rhapsody
1954 - Beau Brummell
1953 - The Girls who had everything
1952 - Love is better than ever
1952 - Ivanhoé, o vingador do rei - Ivanhoe
1951 - Callaway went thataway
1951 - Um lugar ao sol - A place in the sun
1951 - O netinho do papaiFather's little dividend
1951 - Quo Vadis?
1950 - O pai da noiva - Father of the bridge
1950 - The Big hangover
1949 - Quatro destinos - Little women
1949 - Conspirator
1948 - A date with Judy
1948 - Julia Misbehaves
1947 - Nossa vida com papai - Life with father
1947 - Cynthia 1946 - Courage of Lassie
1944 - A mocidade é assim mesmo - National velvet
1944 - The White cliffs of Dover
1944 - Jane Eyre
1943 - Lassie - Lassie come home
1942 - There's.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A CONQUISTA DE HOLLYWOOD PELO FILME FALADO

Neste texto foi mantida a grafia original


O filme falado operou uma grande revolução na industria cinematographica norte-americana; o filme falado substituiu completamente o filme mudo. Em Hollywood trabalha-se noite e dia na producção de "talkies". Todo os estudios foram equipados para esse fim, salvo um: o de Charlie Chaplin. Charlie é o ultimo baluarte da arte muda. Recusa-se a admittir o "écran" sonóro reclamado pela universidade do publico americano e até o presente, pelo menos, passa o máu humor não produzindo nada.
Formidaveis capitaes foram investidos nessa innovação; o mais curioso é que as mais importantes firmas cinematographicas passaram ao controle das grandes sociedades de electricidade. Estas tem tanto interesse pelo cinema como pela arte. Consideram-nas no mesmo ponto de vista em que se collocam quando se trata da fabricação de cabos electricos, de apparelhos frigorificos ou de vibradores para massagem. Para ellas o filme não é senão um objecto como um outro qualquer a ser manufacturado em melhores condições para melhor proveito commercial. Ora, não ha mais margem para lucros fóra do filme sonóro nos Estados Unidos. Ha vinte e cinco annos o publico pagava para vêr na téla as imagens animadas, sem se preoccupar com a sua qualidade. Hoje, exige que o "écran" fale e cante, sem se deter nas censuras de Carlitos e nas que certos criticos cinematographicos dirigem ao filme falado, accusando-o de destruir a verdadeira arte do cinema.
Novas figuras fizeram a sua apparição em Hollywood. Foram os technicos da industria electrica, na maioria jovens, sahidos ha pouco das universidades e dos laboratorios, e que, até o anno ultimo não haviam posto os pés num estudio. Da noite para o dia tornaram-se mestres e todos devem obediencia à sua autoridade. Esta incursão não se fez sem choques. O antigo pessoal que tinha os seus habitos e as suas tradicções, oppoz a principio a sua má vontade e a força inercia a estes novos, cuja experiencia contestavam. Mas os directores actuaes dos estudios se propuzeram a despedir summariamente a quem quer que se oppuzesse à livre manifestação das idéas e das empresas desses jovens technicos de electricidade.Tambem os estudios, por sua vez, mudaram completamente. Uma disciplina meticulosa e absoluta substituiu o amavel "deixa correr o marfim" dos velhos tempos. Tornaram-se como que o templo de uma nova divindade: o silencio. Foi proscripto de maneira implacavel, o irreconciliavel inimigo do registro sonoro: o ruido, que não se tolera de maneira alguma. As paredes são calafetadas, todas as portas munidas de amortecedores do som. Quando se illumina a lampada vermelha que annuncia a todos o inicio da filmagem de uma scena falada um guarda, com sandalias de feltro, aferrolha todas as communicações e mesmo um "ukase" do tzar do cinema americano, Will Hays, não lhes póde determinar, nessa occasião abertura. Aliás, visitante algum é admittido. Tudo assume um ar de mysterio e de segredo. "Metteursen-scene", actores, operadores, machinistas, ficam postados no seu lugar não ousando trocar uma unica palavra e procurando evitar, a todo o transe, uma tosse, qualquer ou uma contracção nervosa, cujo ruido não deixaria de impressionar o ouvido sensivel do microphone temido.Não ha mais o rumor dos ventiladores que renovavam o ar acculinado, ou das orchestras de jazz que distrahiam ou estimulavam o trabalho. Foi preciso sacrificar um milhão de dollares de lampadas a carvão por causa do seu ruido quando accesas. Foram substituidas por lampadas de incandescencia que são silenciosas mas que aquecem infernalmente a atmosphera e transformam os studios num forno. Para supprimir o ruido da camera foram estudados diversos meios. O que se emprega, geralmente, hoje em dia, consiste em encerrar camera e operadores em uma cabine hermeticamente fechada, munida de um espesso vidro, através do qual se effectua a tomada de vistas. As portas são fechadas exteriormente, de maneira que os operadores não as possam abrir para tomar um pouco de ar. Para impedir que succumbam à asphyxia, quando o seu trabalho se prolonga o ar lhes é transmittido por meio de um tubo. Para a tomada de vistas exteriores estas precauções são menos necessarias e a camera fica ao ar livre. O perigo a evitar ahi é o da explosão dos motores de automoveis passando nos arredores, ou de um aeroplano cortando o ar.
O director da tomada de vistas, que dominava outróra no studio como director absoluto, tem actualmente acima delle alguem a cujas ordens deve obediencia: o chefe do registro sonóro ou como se chama o "Controleur do som" ("controler of sound"). "Acima delle" é uma expressão concreta e não uma simples figura. Este "controleur" está com effeito fechado numa especie de cabine de piloto, collocada na parte superior do estudio. A cabine é calafetada e as suas largas paredes são constituidas por cinco espessuras de vidro.
Com um receptor telephonico no ouvido, o "controleur" ouve pelo fio os sons e os ruidos que serão registrados pelo microphone. Sempre com auxilio do telephone elle regula a natureza e a intensidade, dando aos "metteurs-en-scéne" a permissão para movimentar ou interromper o registro e a tomada de vistas. Alguns instantes depois da scena ter sido fixada, ella é projectada deante de todo o pessoal do estudio, reunido em assembléa, afim de constatar se o registro foi bom ou se é preciso recomeçar. É o que se chama o "play back".
O "talking" não dá margem a improvizações de quaesquer especies. Tudo deve ser previsto com antecipação: o scenario, o texto, os ruidos. Do mesmo modo não é mais possivel, em face da synchronização sonóra, rodar varias vezes a mesma scena para obter os differentes planos. É-se obrigado a registrar ao mesmo tempo os "long shots", os medium shots" e os "close ups", quer dizer os planos geraes, os planos medios e os grandes planos.
Chega-se a esse resultado por meio de objectivas com cameras differentes. Ou ainda dispondo-as em differentes partes do estudo e rodando sob angulos diversos, Ha, às vezes, quinze! Mas como estas cameras são fechadas nas cabines, ellas não têm a mobilidade de que beneficiavam os filmes mudos e não se pode locomovel-as tão facilmente, o que necessariamente dá ao filme alguma monotonia.
De um modo geral, a photographia dos "talkies" é menos perfeita do que a dos filmes mudos. É preciso dizer além disso que ao publico americano o que interessa principalmente é a novidade sonóra. Assim os "talkies" são confeccionados com maior rapidez do que os antigos filmes: primeiramente porque não se perde tempo recomeçando cinco ou seis vezes a mesma scena sob o pretexto de que a estrella não appareceu vantajosamente no grande plano; em seguida porque a "mise-en-scene" é menos complicada e menos variada; enfim porque as partes faladas consomem, sózinhas, uma longa metragem. Se se puzerem de parte as despesas de amortização do material que são formidaveis, o filme sonóro torna-se menos caro do que o filme mudo e se póde produzir com vantagem. Póde-se ser que, quando o filme falado tiver perdido a sua attracção de ineditismo o publico se mostre mais exigente quanto ao assumpto; mas tambem o periodo dos primeiros titubeios passou e a experiencia adquirida permittirá melhorar uma producção ainda defeituosa. Uma consequencia fatal do filme falado foi modificar a escala dos valores dos artistas. As qualidades photogenicas tornaram-se, senão secundarias, pelo menos insufficientes. É assim que, por exemplo, as famosas "Bathing Beauties" de Mack Sennet, as banhistas, cuja plastica impeccavel fez a fortuna de tantos filmes, tiveram em sua maior parte de renunciar ao cinema, porque ellas não sabiam cantar. Hoje, não resta senão a pequena Thelma Hill, que soube resistir às exigencias do microphone. As proprias "girls", que outróra eram simples figurantes, são agora obrigadas à posse de um minimum de talento vocal, e foram instituidos para sua aprendizagem, cursos de canto nos estudios.A principio suppoz-se que as artistas e os actores de theatro seriam os mais aptos para os "talkies" e uma verdadeira multidão desses elementos se precipitou dos theatros de Nova York para Hollywood com esse objectivo. Mas o publico cinematographico se mostrou refractario à dicção emphatica desses profissionaes.
Na hora actual, são as antigas vedettas de cinema que encontram o favor perdido. Estudaram dicção e canto e retomam, por isso progressivamente o seu lugar nos estudios.Um dos problemas mais graves que affligem o filme falado, é o dos mercados estrangeiros. Houve inicialmente tão intensa procura dentro dos Estados Unidos, que os americanos não se preoccupam com a exploração possivel em outros paizes como a Allemanha, a França, a America do Sul. Mas conhecidas como são as despesas formidaveis das copias em outros idiomas, além da sua imperfeição, é no proprio filme sonóro que estará a felicidade completa, e ampla prosperidade das cinematographias de cada paiz.



Publicado na Folha da Manhã, domingo, 30 de julho de 1933

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Para ler

"O Pano do Diabo - Uma história das listras e dos tecidos listrados"

"O Pano do Diabo - Uma história das listras e dos tecidos listrados" - Autor: Michel Pastoureau - Editora: Jorge Zahar - Preço: R$ 17,00, em média

"O Pano do Diabo" é uma viagem no tempo que busca desvendar o significado das listras nas vestimentas da sociedade ocidental. Talvez você nunca tenha se perguntado o motivo pelo qual a roupa dos presidiários tenham sido listradas, assim como a dos loucos e doentes contagiosos. Seria uma forma de diferenciar os que estavam à margem da sociedade?

As listras de alguma forma também foram relacionadas ao mar, nas roupas dos marinheiros e nos trajes para banhos de mar. O esporte, em geral, também se apoderou delas, seja nos uniformes ou em símbolos de marcas famosas. Essas e outras questões são analisadas pelo autor em um livro sucinto, mas muito interessante.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Para Assistir

Palavras ao Vento

Título Original: Written on the wind
Direção: Douglas Sirk
Roteiro: George Zuckerman
Produção: Albert Zugsmith
Música Original: Victor Young, Frank Skinner
Fotografia: Russell Metty
Edição: Russell F. Schongarth
Direção de Arte: Robert Clatworthy, Alexander Golitzen
Figurino: Bill Thomas
Efeitos Sonoros: Robert Pritchard, Leslie I. Carey
País: USA
Gênero: Drama
Nota: 7,6
Prêmios: Academia de Hollywood - Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Dorothy Malone)
Indicações: Academia de Hollywood - Indicado aos Oscars de Melhor Ator Coadjuvante (Robert Stack) e de Melhor Canção (Written on the wind)
Globo de Ouro - Indicado ao Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante (Dorothy Malone)

Baseado no livro de Robert Wilder, "Palavras ao Vento" é um dos ótimos dramas dos anos 50. Realizado pelo grande cineasta Douglas Sirk, o filme fala de temas como alcoolismo, impotência e ninfomania dentro de uma abastada família do ramo do petróleo.
A direção de Sirk é consistentemente muito boa. A fotografia de Russell Metty e a música de Victor Young são dois pontos altos do filme.
No elenco, o maior destaque fica por conta da atuação de Dorothy Malone, no papel de uma jovem ninfomaníaca, por ter sido rejeitada pelo seu grande amor de infância. Robert Stack também apresenta uma ótima interpretação no papel de um rico playboy que vive a se embebedar.

Sinopse
Mitch Wayne e Kyle Hadley, filho playboy de um magnata do petróleo, são grandes amigos desde a infância. A irmã de Kyle, Marylee, sempre manteve a esperança de, um dia, casar-se com Mitch, mas este sempre a tratou como se ela fosse uma irmã.
Mitch e Kyle apaixonam-se pela mesma jovem, Lucy Moore, mas esta termina casando-se com Kyle, antes mesmo de Mitch expressar seus sentimentos para com ela.
Após o casamento, Kyle, que sempre bebeu muito, consegue passar um ano sem tocar em bebida e a se comportar de forma mais responsável, até descobrir que ele pode ser estéril. Maliciosamente, Marylee sugere-lhe que Lucy e Mitch são amantes, e quando Lucy aparece grávida, o bêbado Kyle acusa Mitch de ser o pai da criança.
Perturbado, corre até seu Bar preferido para se embebedar mais uma vez. Embriagado, retorna à sua mansão, onde, depois de acusar sua esposa de ter engravidado de seu melhor amigo, a espanca com violência. Em seguida, desce até a biblioteca onde começa a destruir tudo.
Mitch socorre Lucy e telefona para o Dr. Paul Cochrane, informando-lhe o ocorrido. Este chega em seguida, examina Lucy e constata que ela acabara de sofrer um aborto espontâneo.
Mitch vai até a biblioteca tentar convencer Kyle de que nunca encostou um dedo em sua esposa. Este, embriagado, não acredita no velho amigo de infância e saca um revólver. Quando vai atingi-lo, sua irmã, Marylee, se atraca com ele e, acidentalmente, a arma dispara, ferindo-o mortalmente.
Marylee tenta chantagear Mitch, alegando que pode testemunhar contra ele, a não ser que aceite se casar com ela. Ele rejeita a ameaça e lhe pede para que desista de ter qualquer tipo de esperança em relação a ele, que tem por ela um amor de irmão.
O caso da morte de Kyle vai a julgamento, tendo Mitch como principal suspeito. Depois de serem ouvidas várias testemunhas, chega a vez de Marylee ser inquirida. Ao contrário das ameaças feitas a Mitch, Marylee conta exatamente o que de fato ocorreu.
Livre da acusação, Mitch deixa a mansão dos Hadley em companhia de Lucy.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Para anotar no caderninho!

Frases de Chanel

"Sou contra uma moda que não dure. É o meu lado masculino. Não consigo imaginar que se jogue uma roupa fora, só porque é primavera."

"Uma mulher vestida de claro raramente fica de mau-humor."

"A natureza nos dá o rosto dos 20 anos. A vida modela o dos 30. Mas temos que merecer o rosto dos 50."
"Aos 50 anos a mulher é responsável por seu rosto. Ninguém é jovem aos 50. Costumo dizer aos homens: acham que ficam mais bonitos carecas?"

"Sou a última do meu gênero. Não terei sucessores. Espero apenas que o meu exemplo não seja esquecido muito depressa".

"A roupa deve ser, antes de tudo, cômoda e prática. É a roupa que deve adaptar-se ao corpo e não o corpo que deve deformar-se para adaptar-se à roupa".

"A moda, como a arquitetura, é uma questão de proporções".

"As roupas velhas são como velhos amigos. Nós os conservamos. Gosto de roupas como gosto de livros: para pegar, mexer nelas."

"Os homens que querem se fazer notar pelas roupas são uns cretinos. As mulheres podem sobreviver a quase todas as formas de ridículo; um homem ridículo está perdido, a menos que seja gênio."